DESCONSTRUINDO PARA O NOVO: ESCREVER COM CRIATIVIDADE É POSSÍVEL

“Todos são escritores, uns escrevem, outros, não”. No último final de semana, a frase de José Saramago estreou o Content SkillLab, projeto da Reciclo Content, com o curso Redação Criativa, ministrado por Julie Fank.

Julie é licenciada em Letras Português/Inglês e mestre em Letras, com ênfase em Literatura Comparada pela Unioeste-PR e doutoranda em Escrita Criativa pela PUC-RS. Já atuou no mercado editorial local como diretora de redação e editora de revistas de comportamento, cultura, design, arquitetura e arte. É a idealizadora da Escola de Escrita, de Curitiba. Ministra oficinas de texto, criatividade e literatura desde 2010, em todo o Paraná.

Em sua primeira vinda a Belo Horizonte, a professora mostrou como escrever um texto não é algo inatingível.

Estratégias

Um olhar mais atento ao processo de produção permite saber que a adoção de algumas estratégias pode ajudar a colocar as ideias no papel e desenvolver um bom texto – desde começar um texto com uma dedicatória a como fazer uma alusão intertextual, os alunos escreveram muito. Julie destacou ainda que para fazer um texto criativo, diferente, é preciso saber fazer o comum, pois só é possível fugir do padrão, sabendo como ele funciona. Sendo assim, será possível desconstruir a forma, o conteúdo ou a linguagem.

A jornalista Nathália Lacerda revelou que já fez um ano de pós-graduação em Língua Portuguesa, mas não tinha experimentado tanto a produção e a escrita como nesses dois dias. “As técnicas de como começar um texto são fantásticas. Não vou largar este material nunca mais”.

Metodologia

A metodologia adotada pela Escola de Escrita surpreendeu os alunos que temiam encontrar horas maçantes, cheias de slides. “Gostei muito da dinâmica, das práticas e nem senti as 16 horas de curso. Pelo tipo da publicação que trabalho, o texto tem que ser mais burocrático, mas agora acredito que pode ser mais leve, usando as referências apresentadas no curso”, destaca a jornalista Najela Bruck.

Entre os exercícios apresentados, destaca-se a “ativação de referências”, no qual os alunos tinham poucos minutos para pensar em chamadas para vender um produto usando desde provérbios a e elementos da cultura pop, com o objetivo de quebrar a expectativa do leitor/ receptor do texto. Depois, essas mesmas referências foram usadas na criação de títulos e em outros exercícios envolvendo múltiplas linguagens.

Débora Menezes, psicóloga e graduanda em Literatura, não tem a escrita em sua rotina de trabalho, e sim, como hobby. “Como eu vim para me divertir, procurei não colocar muita pressão, mas a minha expectativa foi ultrapassada. Foi um grande desafio escrever sobre matemática, que é uma matéria que eu detesto e, ainda mais, usando termos de maquiagem. Porém, consegui fazer e até gostei do meu texto”.

Foram dois dias de muita prática textual e troca de experiências com uma turma de 18 pessoas. “Que interessante perceber uma turma eclética e madura para o texto. Isso fez do processo de ensino uma discussão prazerosamente sobre as possibilidades de criação na escrita dentro do universo dia a dia de cada um, afinal é do deslocamento e da troca de referências que surge a experimentação”, destacou Julie Fank. E este parece ser só o primeiro passo da Escola de Escrita por aqui.

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